
Arquitetura Medieval
09/21/2009- Continuamos aqui nossa saga histórica, fechando o período da Idade Média. Leia mais sobre ela em Moda Medieval e Cavaleiros Medievais.
Aguardem as cenas dos próximos capítulos (históricos).
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Durante o começo do período medieval, vemos certo isolamento da Europa – uma Europa entregue a si mesma, desfazendo as influências dos povos orientais.
No século XI, os povos do Oeste e do Centro da Europa alinharam-se sob o estandarte da cristandade reformada, decididamente romana. Fez-se uma consciência comum, que a primeira cruzada (1095-1099) manifestou. O universo do conhecimento estava sob o símbolo da cruz e os monges estendiam a reforma até o material de suas igrejas e livros. Foi dessa demanda austera que nasceram, até meados do século XIII, tanto as igrejas orgulhosas como as ricas catedrais, mas também os castelos e palácios principescos. Obras de pedra, de madeira, de vidro, inovações musicais e litúrgicas, todas manifestavam essa consciência coletiva.
Os numerosos edifícios de pedra e tijolo construídos pelos romanos sobreviveram ao passar dos séculos e puderam servir de modelos a copiar, ou mesmo ser integrados noutros mais tardios. É evidente que as igrejas românicas obedeceram a demandas topográficas, litúrgicas, ideológicas, de culto e de peregrinação. Assim, as fachadas dessas igrejas estavam sujeitas a condições muito variáveis. Mas de modo geral, a fachada românica representava um limiar que separava o mundo profano do local sagrado. A porta da igreja românica convida o fiel a entrar no santuário, mas exprime simultaneamente um aviso ao convite. Ela acolhe aqueles que se purificam e repele os pecadores não arrependidos. A igreja da Alta Idade Média podia ser concebida como uma espécie de fortaleza sagrada, cercada e defendida pelos anjos contra as forças do Mal. Alguns movimentos e inovações na França, na Península Ibérica e na Itália, favoreceram a criação da fachada românica – rotas de peregrinação, Reconquistas e lendas épicas comuns.

Durante os séculos XI e XII, o castelo impôs a guerra o seu estilo e os seus meios: torres de assalto e de madeira com vários andares, máquinas de arremesso, a astúcia e audácia para mergulhar nos fossos, corrupção e traição, o grande fantasma da época!
Os primeiros (ou mais numerosos) castelos era construídos com terra e madeira. Comportavam uma mota defendida por um fosso e uma cerca, ou pátio, adjacente, protegido por um parapeito de terra igualmente cinturado por uma vala. Depois apareceram os castelos de forma circular e muitas vezes apresentava torres quadradas, era uma série de torreões, ditos românicos, quadrangulares.

Como já visto aqui anteriormente, a Europa passa por sérias transformações no final da Idade Média, vejamos algumas delas mais detalhadamente.
Os países do Ocidente viviam havia séculos num frágil equilíbrio religioso e político. Os príncipes da Europa Oriental entregavam-se à tarefa de construir seus estados, a reconquista da Península Ibérica aos mulçumanos parecia inexorável, a competição iniciada em finais de século XI entre o imperador e o papa prosseguia nos ideais dos partidos das grandes cidades italianas e até mesmo em Roma. As sedes do verdadeiro poder deslocam-se para o Oeste da Europa, desestabilizando os eixos tradicionais da economia tradicional. A partir do início do século XIV, com o apoio manifesto dos eclesiásticos, as cidades usurpam o domínio religioso, imiscuem-se nas suas expressões monumentais.
É nessa reforma que a Igreja do Ocidente passa a não querer mais que a igreja, o templo religioso, seja uma cidadela fechada, mas o coração da cidade. Os esforços exigidos são tais que só sociedades em plena expansão econômica e politicamente estabilizadas podem erguer, a partir do século XII, a floresta de catedrais góticas, com a consciência nova de que a humanidade do Ocidente tinha entrado numa época de progresso irreversível.


O ponto de partida da arquitetura e da escultura gótica é por volta do século XII, restringido ao Norte da França. A Inglaterra se adapta rapidamente as novas formas, enquanto o Sul da França, a Península Ibérica e a Itália só as acolhem muito mais tarde. Ocorre uma fusão de instigação nascida nas cortes, locais de poder, onde o luxo em si é um sinal de eminência, onde a magnitude das igrejas é tão interesseira simbolicamente como materialmente gratuita.

O plano da catedral gótica distingue-se pela sua clareza. Por toda parte compõe-se com naves e arcos, há a geometrização e uma multiplicidade de elementos compostos por círculos e arcos nos lavores de pedra em remates de vitrais, arcos e gabletes. Uma arte que se adapta às necessidades da igreja gótica é o vitral – composto por peças de vidro ou colorido na massa, reunidas numa rede de chumbo. O vitral era uma arte do fogo, de forte teor simbólico em complemento da iconografia que desenvolve as outras artes monumentais.

Na pintura, destaca-se uma passagem mais sombria e emotiva que a do período anterior. A escultura recebe uma maior importância com a humanização das posturas e gestos, “domina uma atitude elegante, uma expressão realista, serena e profundamente terna que estabelece comunicação pelo olhar, pelo sorriso e pelo gesto”. A iluminura, por sua vez, volta a seu lugar de principal representação pictória.

Em relação aos castelos e fortalezas, há uma tendência a partir do século XIII da substituição pela torre cilíndrica e cinta de muralhas quadrangular, surge aí o novo castelo. É, porém, no último quarto do século XV que se anuncia uma verdadeira mutação na arte de construir e decorar fortalezas. Os castelos perdem sua soberba. Transformados em casernas, os castelos tendem a perder a função de residência aristocrática que sempre foram desde os anos mil. O enriquecimento da decoração esculpida nas fachadas e a multiplicação das aberturas anunciaram pouco a pouco o castelo de lazer que acabaria por impor-se. Os últimos castelos tiveram seu momento de glória com as guerras religiosas e as derradeiras revoltas nobiliárias, até que Richelieu e Luís XIV supriram, pelo menos na França, a maior parte deles. Quanto aos palácios principescos, sabe-se que na segunda metade do século XIV houve um florescer de torres-residências “vincenianas”.

O outono da Idade Média enfeita-se com uma religiosidade nova, marcada pelo peso das cortes seculares e das associações laicas. Chega a vez das burguesias urbanas. No século XIV, século de tantas dificuldades, a arte se internacionaliza.
“Vivia-se uma época de construções, o que atiçava a rivalidade entre os princípes. Aquilo que faziam em Westminster, em Paris já estava terminado.” (O rei de Ferro, página 47 – Maurice Druon em Os Reis Malditos).
O espírito da cruzada já não é mais do que um sonho, uma agitação. Dos escombros da Europa da fé nasce a realidade do homem da Renascença e com ela, uma arte nova, que considera com frieza o passado e restaura uma nova ordem dos homens e do saber.
Mas esse é um assunto para outro post. Aguardem os próximos capítulos.

E assim termina um longo sono - o sonhar com príncipes, castelos, cavaleiros e catedrais. O sonhar com feudos, sagrações, as cortes intricadas com a religião.



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