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Contos de Fadas

10/07/2009

Contos de Velhas Esposas…

Snow Queen by Connie Toebe Assunto que foi alvo de várias interpretações no século passado, os contos de fadas já foram vistos desde como tentativas pré-científicas de explicação do universo, reminiscências de religiões pagãs ou ritos de iniciação tribal, até os retratados simbólicos ditos feministas e histórias clássicas. Há muitas formas de se interpretar uma história antiga, desde a visão de alegoria e metáfora até o simples entretenimento. Nenhuma desconstrução de um conto de fada é “a correta” e nenhuma é “a versão correta”. Contos antigos existem em muitas formas diferentes, mudando e adaptando-se a cada cultura e a cada geração.

Enquanto a forma de cada conto varia de acordo com a cultura, o tempo e o contador, o valor íntimo dele permanece o mesmo – porque se trata de estórias que falam sobre os elementos mais básicos da condição humana: medo, coragem, ambição, generosidade, crueldade, compaixão, fracasso e triunfo. Em resultado, seus temas são tão relevantes hoje em dia como em qualquer outro tempo.

Embora sabemos que contos de fadas são endereçados às crianças, essa é uma idéia relativamente moderna. Na tradição oral, estórias mágicas eram aproveitadas por ouvintes jovens e adultos igualmente, e além do mais, os contos de fadas literários (incluindo alguns dos mais famosos atualmente) foram publicados primeiramente para leitores adultos no século XIX. Na Europa, os primeiros contos publicados foram de dois colecionadores italianos, Giovan Francesco Straparola (1550-1553) e Giambattista Basile (1634-1636). Essas histórias eram sensuais, vulgares, audaciosamente violentas, moralmente complexas e intencionadas aos adultos logicamente. Esses italianos foram conhecidos certamente pelos escritores franceses do século XVII, que criaram uma rede de contos de fada adultos nos salões literários de Paris.

"Secrets and Stories" by Paula Rego

Os contos franceses eram tão populares e prolíficos que quando suas estórias foram reunidas em uma coleção, formaram uma massa de 41 volumes denominados Cabinet des Fées. Charles Perrault é o escritor francês que mais chamou atenção, mas o Cabinet des Fées era recheado de escritoras que lideravam os salões franceses, como Marie-Catherine d’Aulnoy, Henriette Julie de Murat, Marie-Jeanne L’Héritier, entre outras mulheres com graus incomuns de independência social e artística e cujo uso dos contos de fadas deixa margem a um subtexto subversivo ou mesmo feminista.

Cinderella by Jennie Harbour

Não é surpresa que os contos de fada s criados por essas mulheres eram recheados de jovens aristocráticas cujas vidas eram controladas arbitrariamente por seus pais, reis e bruxas – assim também como não é surpresa encontrar contos em que grupos de sábias fadas chegavam e ajeitavam as coisas. Fadas eram o centro dessas estórias, e foi lá que se originou o termo conte de fées (conto de fadas), um termo hoje utilizado para descrever uma gama enorme e internacional de contos mágicos. As fadas dos salões franceses não eram, porém, as mesmas criaturas terrenas encontradas na tradição oral popular. Elas partilhavam algumas mesmas características (doavam desejos mágicos, poderiam ser boas ou más, caridosas ou caprichosas), mas ainda assim eram fadas claramente aristocráticas, inteligentes, eruditas e independentes, governando acima dos reis e presidindo trabalhos de justiça e destino – igual às mulheres inteligentes e independentes que controlavam os salões. Em resumo, essas fadas podem ser vistas como representações das mulheres que as criaram.

Frog Prince by Jessie M. King

Contos de Fadas para adultos continuaram populares pela Europa no século XIX – particularmente na Alemanha, onde os Irmãos Grimm publicaram uma coleção massiva de contos de fada germânicos (revisados e editados de acordo com os ideais patrióticos e patriarcais dos Irmãos). Na Inglaterra do século XIX, avanços nos métodos de imprensão combinados com o aumento da prosperidade da classe média, engendraram um indústria de livros publicados para crianças. Buscando materiais baratos, os escritoires ingleses puseram as mãos nos contos de fadas adultos e os adaptaram para estórias mais simples e os infestaram com valores vitorianos. Embora essas versões simplificadas retiverem muito da violência das antigas estórias, elementos de sexualidade e complexidade moral foram cuidadosamente eliminados – juntamente com a independência das heroínas que apareciam em todos os lugares dos contos antigos, domada agora dentro dos modelos de passividade vitoriana.

Witch, Cinderella, and Little Red Riding Hood by Wendy Froud

No século XX, os Estúdios Walt Disney destruíram mais ainda esses contos nos populares filmes animados como “A Bela Adormecida” e “Branca de Neve”, continuando a transformar heroínas ativas em indefesas donzelas em perigo. Walt Disney considerava mesmo as versões victorianas dos contos ainda muito sombrias para as audiências do século XX.”It’s just that people now don’t want fairy stories the way they were written,”  (“É apenas porque agora as pessoas não querem mais os contos de fada no jeito em como foram escritos.”) – disse Disney. “They were too rough.”(“Eles eram muito violentos”)."The Princess and the Pea" by Margaret Tarrant and Golden Wonder Book by Anne Anderson

Enquanto o século XX continuava, os contos de fadas foram levados ainda mais a infantilidade e brincadeira, publicados em edições infantis influenciadas pelas versões victorianas e da Disney. O gênero inteiro passou a ser visto como simples, bobo, estórias sexistas nas quais lindas meninas, passivas e responsáveis cresciam para se casar com o Príncipe Encantado. Foi largamente esquecido o fato de que em séculos anteriores, os contos de fada não eram simples e doces, finais felizes não eram garantidos e heroínas não ficavam passivamente esperando pelo resgate do príncipe.

Contos de Fadas no passado olhavam para as partes mais sombrias da vida: a decadência, a fome, o abuso de poder, a violência doméstica, o incesto, o estupro, a venda de jovens na forma de casamentos arranjados, os efeitos de casamentos nas dinâmicas familiares, a perda de heranças ou identidades, a sobrevivência à traição ou à calamidade.

5 comentários

  1. [...] mais sobre contos de fadas e heroínas em: Contos de Fadas e Donzela em [...]


  2. [...] outros estudos exterporâneos sobre produção literária européia em Donzela em Perigo(!), Contos de Fadas, A Bela Adormecida e [...]


  3. E eu queria te fazer um convite, para entrar no meu blog http://gabpattz.wordpress.com/ ler a minha história e dar a sua opinião, mesmo que voce não goste da história por favor diga isso!
    Muito obrigado e eu estou te esperando


  4. Eu gostaria de te convidar a entrar no meu blog!
    De a sua opinião sobre o meu novo conto que se chama she´ol http://gabpattz.wordpress.com/


  5. [...] mais sobre o assunto de contos de fadas em: Donzela em Perigo (!), Contos de Fadas, A Bela Adormecida e [...]



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