- Como parte dos estudos diacrônicos sobre Renascimento, retratamos aqui uma moda bastante específica de uma corte que aderiu dos caracteres do Renascimento Europeu.
Veja mais sobre esse período histórico em Dante e Renascimento, Arquitetura Quatrocentista, Escultura Quatrocentista e O Ballet de Corte
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O advento do Renascimento atribuiu aos reinos europeus um refinamento cortesão. A elegância do indivíduo passa a ser valorizada como um meio de se sobressaltar como súdito querido e estimado do rei, e não mais apenas os meios derivados da “brutalidade e táticas guerreiras de espírito” da cavalaria. A figura do rei, por sua vez, é vestida e ornada em sua própria luz. O traje do século XVI é complexo, estilizado e elaborado. Contudo, não se deve esquecer que o ideal de trajes que possuímos de cada época é sempre passado através das representações dos nobres em ocasiões solenes, e existiu sempre as formas mais confortáveis do quotidiano, utilizadas também por servos, domésticos, camponeses e o populacho em geral.

Encaramos a corte Tudor aqui como um dos melhores exemplos de configuração característica deste período do Renascimento, entendendo todas as suas exasperações de influências estrangeiras, principalmente advindas da França e Espanha. O absolutismo concreto e independência política da Inglaterra gerada pela Reforma Inglesa, bem como pela competição entre os príncipes e Henrique VIII, criaram exemplos que merecem ser aqui citados.
Durante o século XVI, o Nordeste da Europa e as Ilhas Britânicas passam por uma curta era glacial que desencadeou uma estrutura de várias camadas de tecido nas roupas, como também ornamentos, tecidos pesados, cortes especializados e guarnições para que os indivíduos pudessem ser devidamente protegidos das baixas temperaturas. As linhas estreitas do período medieval são substituídas por silhuetas amplas, acompanhadas de um cuidado às mangas, com guarnições de forro e pele. Essa silhueta se mostrava cônica para as mulheres, com vestidos marcados à cintura, e se mostrava larga para os homens, principalmente na área dos ombros.
O traje masculino evoluiu da silhueta longa e estreita até a silhueta quase
quadrada, com ênfase no ombro obtida através de golas e mangas largas. O traje era constituído por, basicamente, uma camisa de linho (chemise), um gibão, que deixava à mostra pelas mangas parte do tecido da chemise, uma jaqueta com saia até o joelho, mangueira (estilo de meias masculinas que englobavam as pernas), codpiece (na virilha da calça, acentuando a área genital), e uma abertura de vestido (tipo capa) que era forrado e de mangas curtas. Esse vestido podia ir até o tornozelo, como as primeiras tendências, utilizada depois pelos magistrados e estudiosos, ou até os joelhos.
Quanto aos chapéus, o barret alemão com sua borda arrebitada era muito popular, além de um chapéu similar com as bordas arredondadas. Os sapatos, tanto masculinos quanto femininos, foram usados lisos com uma cinta cortada e presa no peito do pé. A fôrma era arredondada, sendo mais tarde usada em forma quadrada. Os sapatos se tornaram mais estreitos e moldados aos pés posteriormente. Botas também eram utilizadas para, por exemplo, montar a cavalo.

Basicamente, o traje feminino era composto de um vestido longo com mangas usado sobre uma camisa de linho ou jaleco. Na França, na Inglaterra e em Flandres, o vestido medieval de cintura elevada descia até a cintura natural
na frente (como na moda espanhola) e em seguida parando até uma linha V. As saias se tornaram mais elaboradas e volumosas e os espartilhos eram severamente utilizados. Existia uma variedade de chapéus, bonés, capuzes, redes e rendilhas de cabeça dependendo de cada região.
Durante a corte Tudor, assistimos a um turbilhão de mudanças e/ou contrastes na moda feminina, próprio pelo caráter cosmopolita que a corte de Henrique VIII se atribuía e muito também pela contribuição de suas esposas. É conhecido que Ana Bolena se vestia à francesa, assim como Catarina de Aragão se vestia à espanhola, tendo ambas influenciado suas cortesãs.
Quanto ao traje francês, este se apresentava com um decote quadrangular,
que revelava a camisa por junto à pele, e com mangas justas aos pulsos. O vestido era no molde corpete separado da saia. E como a moda francesa e inglesa estavam em constante diálogo, este vestido logo evoluiu para um traje equipado de espartilho e com a frente da saia exibida com um painel decorado, bordado e com pedras preciosas, preso à anágua. As mangas evoluíram rapidamente para o estilo trompete, apertado no alto braço e solto por baixo.
Quanto aos penteados, a Inglaterra mostrava uma variedade composta por véus e capas que se mostravam mais ou menos estruturados. Era comum o
uso de um véu solto que ocultava completamente o cabelo. O capelo, um adorno muito popular, evoluiu na França dos tempos medievais e era constituído de um chapéu arredondado simples, dependurado de forma que mostrava a parte diantera do couro cabeludo, onde os cabelos estava separados no centro e presos ou torcidos sob o véu que acompanhava o capelo. Este tipo evoluiu para uma forma mais refinada, mostrada em meia-lua, que foi adotada por Ana Bolena e que o introduziu na corte inglesa. A corte passa por um contraste de chapéus, sendo adotado tanto o capelo francês de meia lua à medida que Ana Bolena ganhava influência, como sendo adotado o capelo espigão, já tradicional no país, de pontas que vinham até o queixo ou mais abaixo e de forma triangular que escondia toda a superfície capilar.


“Notei, com deleite amargo, a crise do adorno de cabeça que o retorno confiante de Ana tinha provocado. Algumas voltaram a usá-lo ao estilo francês, que Ana continuava a usar. Outras persistiram no capelo em forma de espigão, preferido por Jane. Todas elas estavam aflitas sem saber se deviam estar no belo aposento da rainha ou no outro lado, com os Seymour.”
“Ela pôs de lado o capelo francês, o elegante adorno de cabeça em forma de meia lua que Ana introduzira ao retornar à Inglaterra. Usava o capelo na forma de espigão, como a rainha Catarina, e que há apenas um ano marcava aquela que o usasse como alguém terrivelmente deselegante, fora de moda. O próprio Henrique tinha jurado que odiava a roupa espanhola.”
(Phillipa Gregory – A irmã de Ana Bolena)
É importante ressaltar ainda que havia tipos especiais de tecidos – como o veludo púrpura, só autorizado para o status de Lord e Lady.










Foi na Itália que primeiro se manifestou a formação de uma sociedade cortesã, embora ainda não enrijecida pela etiqueta. Diferente da França, os nobres italianos não exaltavam a cavalaria, mas sim o refinamento do indivíduo por meios paralelos que compreendiam a elegância intelectual e artística. No Quatrocento, a dança metrificada (que seguia ritmos marcados) torna-se uma dança erudita, surgindo os primeiros dançarinos profissionais e mestres de dança. Os primeiros documentos escritos de dança também datam do Quatrocento, contendo a gramática dos movimentos, métrica, comportamento, percurso e aparência, passos fundamentais. Os principais eram os simples e duplos, meia-volta (sem erguer os calcanhares), salto (pouco elevado), battement (batida) dos pés, passo corrido e mudança de pés.
aperfeiçoada pela Itália, torna-se um exercício apaixonante.
contava com as entrées de temas específicos ou tradicionais – entrées de fúrias, demônios, combatentes – danças livres ou improvisadas que recorriam à mímica e à acrobacia. Os dançarinos eram os cortesãos ou profissionais quando empregados nas partes acrobáticas.

