
O Ballet de Corte
02/06/2010- Um novo tipo de arte retratado aqui no Chrysalide. Um presente de carnaval sobre mascaradas e bailes. Descubra mais sobre Renascimento em Dante e Renascimento, Arquitetura Quatrocentista e Escultura Quatrocentista.
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Continuamos a falar sobre Renascimento e as mudanças ocasionadas nas artes dos séculos XV e XVI. A evolução da dança também acompanhou o desenvolvimento cultural das cortes da Europa. Terminada a Guerra dos Cem Anos, a França passa por uma restauração do poder central e finanças – ela se encontrava impaciente em evoluir. Mas a renascença francesa passa pela renascença italiana, o que não exclui o processo de coreografia.
Foi na Itália que primeiro se manifestou a formação de uma sociedade cortesã, embora ainda não enrijecida pela etiqueta. Diferente da França, os nobres italianos não exaltavam a cavalaria, mas sim o refinamento do indivíduo por meios paralelos que compreendiam a elegância intelectual e artística. No Quatrocento, a dança metrificada (que seguia ritmos marcados) torna-se uma dança erudita, surgindo os primeiros dançarinos profissionais e mestres de dança. Os primeiros documentos escritos de dança também datam do Quatrocento, contendo a gramática dos movimentos, métrica, comportamento, percurso e aparência, passos fundamentais. Os principais eram os simples e duplos, meia-volta (sem erguer os calcanhares), salto (pouco elevado), battement (batida) dos pés, passo corrido e mudança de pés.
No Cinquecento a técnica torna-se mais exigente. Já são encontrados conceitos que permeiam até os dias atuais na dança clássica, como o piedi in fuore (en dehors), cabriolas, intrecciata (ancestral do entrechat), fioro (pas de bourré), o pirlotto (pirueta) e groppo (origem do coupé).
Quanto a França pós-Guerra dos Cem Anos, ela volta a ser o reino mais rico e mais populoso da Europa já no final do século XV. Renascendo nas artes, a influência da Itália é absoluta, refletindo mesmo na arquitetura a partir de quando François I confia Fontainebleau a Primatice e Rosso. Mas no plano de pensamento e literatura, a originalidade francesa é absoluta. A partir de François I uma verdadeira vida de corte organiza-se pela primeira vez. Os cortesãos procuram o refinamento do comportamento objetivando elaborar uma arte de viver com elegância. Para esta nova sociedade, a dança,
aperfeiçoada pela Itália, torna-se um exercício apaixonante.
As principais danças constituiram-se de: “Baixa dança” (dança de casais), Pas de Brébant (transformação do saltarelo dos italianos), Bransle (mimodramática com ritmos 4/4, 6/4 e 6/8), o Canário, a Chacona, o Passacale, a Pavana (que se torna uma das danças predominantes, com passos escorregadios marcados por paradas curtas), o Pazzo Mezzo (mais vivo que a pavana), a Volta (dança de casais). Mas a dança típica do período é a Galharda, dançada em cinco passos num tempo de 6/4, integrando saltos, grous, coices, rus de vache e cabriolas – uma dança de elevação. A associação pavana-galharda torna-se um repertório.
Mas a dança transforma-se em meio de propaganda, é organizada em espetáculos. Num outro período conturbado de guerras, o ballet é meio privilegiado de propaganda e só após a autoridade real for restabelecida que ele se transformará em afirmação do princípio monárquico em cerimônia de adulação da pessoa do rei.
Quanto à parte técnica, o ballet da corte contava com organizadores como um baile organizado em torno de uma ação dramática. Ele conta com as evoluções geométricas das figuras de espaço, com os dançarinos em figuras como retângulos, losangos e quadrados para serem identificáveis quando vistos do alto. Além disso, o ballet
contava com as entrées de temas específicos ou tradicionais – entrées de fúrias, demônios, combatentes – danças livres ou improvisadas que recorriam à mímica e à acrobacia. Os dançarinos eram os cortesãos ou profissionais quando empregados nas partes acrobáticas.
A mitologia forneceu a maior parte dos libretos dos ballets de corte. Conta-se as alegorias e inspirações romanescas, além dos ballets burlescos, que vão das peças fantásticas e surrealistas, das pastorais até o obsceno. Tradicionalmente, o período de carnaval – que começava em janeiro era festejado com muitos ballets, o que explica a inserção de episódios cômicos em ballets romanescos.
Já em 1564 aparece o primeiro ballet de corte com seus elementos constituintes fundamentais, dança, música, poesia, cenário com máquinas, ligado a uma ação dramática. O gênero está definitivamente fixado em suas banalidades e achados: prólogo em homenagem ao rei, entrées em diversos tons (que se inscrevem em uma ação coordenada psicologicamente), uso do canto e da dança misturados, a poesia declamada, o cenário ainda estático.
Alguns links para assistir exemplos no youtube de danças no renascimento: aqui (baile), aqui (pavana), aqui (bransle) e aqui (galharda).



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