Posts de abril \22\UTC 2010

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A Dança Clássica

04/22/2010
  • A invenção da Técnica Clássica e o surgimento do ballet de ação.
    Para saber mais sobre esse período, veja: Barroco e Arquitetura.

    Para saber mais sobre a trajetória histórica da dança, veja: O Ballet de Corte.

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A morte de Luís XIII marca o fim de uma sociedade. Após seu reinado, o ballet de corte é mantido em um estado de vida superficial, procurando-se uma nova forma de espetáculo dançado e ao mesmo tempo uma técnica mais específica. É a partir do ano de 1643, então, que se começa um processo de mudanças.

A regente após a morte de Luís XIII, Ana D’Áustria, nomeia o italiano Mazarino como Primeiro Ministro, iniciando uma série de desordens no poder que se manterão até a posse de Luís XIV. Durante esse período, não foram compostos ballets de corte notáveis, tanto pelas perturbações que agitavam a corte quanto pelas tentativas de Mazarino de impor o espetáculo italiano por excelência, de que havia gostado em Roma, a ópera.

Sob essa tendência, o ballet de corte acentuava as mudanças visíveis na produção de efeitos cênicos quase sobrenaturais, utilizando máquinas para um virtuosismo cenográfico não visto até então. O gosto pelo espetáculo grandioso permeia, pois, o ballet de corte, a ópera e chega mesmo até o teatro. São adicionados novos elementos às obras com o intuito de agradar o público francês, como pequenas partes dançadas, as entrées pândegas, como a entrada de animais ou outros motivos burlescos. É a fusão da dança na ópera.

Entretanto, quando o período conturbado voltou à calma, o ballet de corte, em si mesmo, voltou à moda, principalmente depois que o jovem rei debuta aos treze anos no Ballet de Cassandre. É nesse ballet, cuja parte final apresenta o triunfo, que o rei Luís XIV desempenha o papel de Sol ascendente pela primeira vez, do qual será titular nos ballets seguintes. A dança clássica é considerada a filha legítima de Luís XIV.

A sociedade cortesã cai bruscamente na inação, redigida por um soberano cujas precoces experiências ditam a vontade de dominar estritamente a nobreza. Sua única função é representar a si mesma. A etiqueta se transforma em um libreto, exigindo de cada um o papel preciso, imutável, a não ser pelo favor especial do rei. Tudo é calculado para a exaltação, o distanciamento, a divinização de Luís, o rei-sol. O gosto pela mitologia invade toda arte oficial. É uma mitologia de transcrição literal da sociedade do tempo, um espelho onde ela se contempla, projetando-se para a eternidade.

A vontade de imobilizar o movimento parte desse princípio de eternização, oferecendo um rótulo de beleza formal.  Ela é marcada pela primeira criação acadêmica de Luís XIV, a Academia Real de Dança, fundada em 1661, primeiro ano de seu poder pessoal.

Mas a evolução da dança partiu de um homem, Charles-Louis-Pierre de Beauchamps. Não deixou nenhum escrito, mas sabe-se pelos testemunhos da época que teve um papel decisivo na elaboração e na codificação da técnica clássica. Foi ele, principalmente, quem definiu as cinco posições básicas. Além do mais, por ser dotado de uma grande competência musical, coreografou e compôs as partituras de várias obras, sendo professor de dança do rei, e logo se tornando “compositor dos ballets de Sua Majestade”.

Como toda arte da época de Luís XIV, o sistema de Beauchamps tende à beleza das formas, à conformidade, e visto sob um determinado prisma, à rigidez. A virtuosidade é conseqüente da primazia da forma sobre o conteúdo, tendência reforçada por uma profissionalização dos bailarinos. Por outro lado, a regularidade, a beleza formal e o virtuosismo são o preço da técnica. Constituem fronteiras estreitas, com uma ameaça de endurecimento – a repetição pode aniquilar a inspiração, a não ser que ela seja revitalizada por uma mudança de finalidade.

Beauchamps trabalha a partir dos passos de dança da corte, atribuindo-lhes beleza formal, uma regra na qual se fixa a sua evolução. Tratava-se de tomar um movimento natural, levá-lo ao máximo de seu desenvolvimento, ao mesmo tempo em que o torna, forçosamente, artificial. O corpo humano era idealizado, o que fazia com que os gestos na dança fossem uma criação tão bela e artificial quanto os versos clássicos.

E qual seria a utilidade da técnica clássica? Trancá-la no mundo artificial da ópera, puramente formal, ou usá-la para exprimir o sentimento humano, inserindo-a em uma ação dramática. O ballet de dança pura ou ballet de ação. Molière propunha a segunda opção.

Muitos esquecem que entre as vinte e oito obras conhecidas de Molière, doze são comédias-ballet, onde a dança tem mais importância quantitativa do que o texto. Por exemplo, a encenação do Bourgeois Gentilhomme, com todas as danças previstas pelo autor, durava cinco horas e meia, enquanto que a representação reduzida ao texto durava duas horas.

Ao misturar dança e comédia, Molière apenas seguia o costume dos autores de farsas e de comédias de seu tempo, mas o fez de forma brilhante. Ele diz no prefácio de Les Fâcheux: “O objetivo era também apresentar um ballet”. Molière desculpa-se por não construir um verdadeiro ballet de corte, com seu esquema tradicional que o separaria da ação dramática. A grande novidade era que costurava o ballet ao assunto da peça, encontrando uma nova finalidade – participar da ação.

Porém, enquanto Molière empregava a dança como elemento de ação, Lully, compositor de Luís XIV e que trabalhou junto com Molière em muitas obras, reduziu-a ao emprego subalterno de ornamentação das óperas. A dança era tomada como divertimento. Lully é até responsável pela sobrevivência das formas do ballet de corte – preocupado em agradar ao rei e ao público, não intencionava mudar as regras de um espetáculo que sempre tivera sucesso.

Era preciso agradar e mostrar uma dança virtuosíssima, e era necessário um número de bailarinos profissionais, recrutados de sua própria academia. A competição entre os dançarinos só elevava o nível técnico. Não se conservou somente o velho conteúdo do ballet de corte, como também seus costumes – trajes compostos de penachos e perucas, mulheres de salto alto, vestidos da corte, máscaras, o que não facilitava a velocidade ou a elevação.

Noverre dizia que reinava a “dança mecânica” e ainda não havia se estabelecido a dança de expressão.

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  • Para quem estiver interessado em saber mais sobre o período, recomendo o filme “Le Roi Danse”, que aborda a temática do período explorado aqui no Chrysalide.
    Le Roi Danse (Youtube).

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  • Veja como estava a produção das comédias-ballet de Molière, pelo vídeo no Youtube: Marcha dos Turcos da comédia-ballet Le Bourgeois Gentilhomme e diga qual das duas personalidades, Lully ou Molière, estava certa quanto ao uso da dança.
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Barroco e Arquitetura

04/14/2010

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O Barroco não passou de um valor estético, de um padrão artístico que se constituiu do caráter global que dominava na cultura. Por ser um estilo artístico de feição própria e oposta à do renascentista, não pôde evitar derivar de uma linha de evolução que propunha novos ideais, correspondendo à sociedade em que se criou. Foi, pois, uma expressão estética que atendia as funções do absolutismo político.

O esplendor, a pompa, a suntuosidade grandiosa e brilhante possuía a finalidade de ofuscar pelo poder, uma vez que não havia nada mais comparável ao esplendor da majestade do que o esplendor artístico. Não se deve olvidar, porém, que não cabem ao Barroco categorias rígidas, já que a própria fluidez e transformação contínua dos produtos que mantinham a unidade essencial entre o social e o político. A expressão barroca tinha sua essência permeada através de vários ângulos que se distanciavam e ao mesmo tempo se complementavam.

Aos intelectualismos exasperados, às composições elaboradas, às poses artificiosas, às elegâncias exteriores do maneirismo, o Barroco contrapõe exuberâncias exultantes, arrojos dinâmicos, surpresas espetaculares. Os valores de medida, equilíbrio e compostura da Renascença passam a ser repudiados. Em seus lugares, os novos valores de movimento, ímpeto, esforço e contrastes de formas e estruturas, de luz e cor. Por toda a parte os limites entre a arquitetura, a escultura e a pintura já não são mais rígidos: as formas fantásticas e caprichosas, experimentadas pelas artes maiores, animam e suscitam as artes menores.

Os mais variados artistas de muitos países contribuem com produções singulares para o barroco. Roma, por sua vez, vê florir uma arquitetura significativa. Ela acusa para a perfeita contribuição histórica com o momento de entusiasmo feito na contra-ofensiva antiprotestante da Igreja de Roma. Foi de lá que os centros da Europa católica acolheram a arquitetura barroca, difundindo-lhe o espírito e a linguagem. Artistas como Lorenzo Bernini, Francesco Castelli (“Borromini”) trabalham a expressão mais elevada e antagonística. O acento do contraste estilístico pode ser sintetizado na oposição das obras – continuação do quinhentismo, em um adoçamento de volumes de aplicação de contrastes de luz e sombra, versus o desenvolvimento volumétrico e extensões verticais.

Em regra geral, constitui-se uma marca do Barroco a exaltação dos espaços em razão da essencialidade dos ritmos gerados por equilíbrios matematicamente calculados. Decorre-se assim também na Espanha, cujo seiscentismo constitui o “siglo de ouro” de sua literatura e arte. A Espanha de Góngora, Cervantes, Lope de Vega, Velásquez, é culta, fantástica e dramática. O dramaticismo e o expressionismo caminham nela em formas amaciadas e infladas.

Quanto à França, é no seiscentismo que se diz ser o grande século da história e da civilização francesa  –  o “Grand Siècle”. Trata-se do momento em que a França realiza uma experiência de arte autônoma, coerente com o seu momento histórico e com o poderio da classe dominante. A arquitetura, não esquecendo a Renascença italiana, aplacando a dinâmica e os ímpetos barrocos romanos, recusando o fausto decorativo espanhol e o frio comedimento inglês, cria formas solenes, sempre enobrecidas pela sensibilidade urbanística e ambiental. Assim, nascem em Paris a Academia de Pintura e Escultura (1648) e a Academia de Arquitetura (1671), propondo soluções urbanísticas .

Também a escultura francesa do seiscentismo permaneceu vinculada à experiência do maneirismo e às regras ditadas pela Academia de França. Durante esse período, a escultura desenvolve-se juntamente com as novas formas arquitetônicas. A articulação solene e pacata das fachadas, dos edifícios religiosos e civis exige uma animação, um amaciamento das superfícies planas, uma maior liberdade no isolamento. É a fusão das tensões, dos múltiplos ângulos de vista, dos contrastes e intensa emoção.

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Goticismos

04/06/2010

 

Goticismos

 

A catedral engole suas cruzes
Que caem como abutres em mármore
E os fantasmas descem e sobem escadas
Saltando espaços negros entre infinito

Do cemitério se ouve seus surdos gritos
Como sepulcro hirto que vê suas torres
Pontiagudas contra o cinza-céu
Voltureil abre as asas negras e diz
Sombras que abrem fendas no cruel

E ‘inda morro todos os dias devagar
Deixando a adaga pungente
Absorta nas feridas pútridas
Das lamúrias que ainda choram,
                                Almas da
Melancolia e Miséria sempre

Nessas alcovas triangulares híspidas
Dilacera-se uma parte de cada vez
Primeiro a languidez, depois a solidão
E então o vazio beatífico
                              Contemplativo.

 

 

Dumay Isiro’s – all rights reserved ®

 

 

  • Escute a trilha sonora: Debussy, Prelude I – La Cathédrale Engloutie (Youtube)

 

 

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Voltureil*: quimera apresentada a autora em manifestação surrealística. Corpo negro, feito de penas como abutre – olhos brancos, sem pupilas, cegos.

 

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