
Pintura Barroca e Classicista
06/20/2010- Pintura barroca francesa a partir das influências classicistas do século XVII.
- Veja mais em: Barroco e Arquitetura, A Dança Clássica, Fábulas de La Fontaine, Moda Barroca e Moda Barroca – Parte 2.
_______________________________________________________________
A partir dos debates teóricos do século XVI, o artista é transformado em intelectual, originando o fenômeno acadêmico, cujo objetivo era a formação de novos pintores, escultores e arquitetos a partir das premissas de grandes mestres. É assim que surge a idéia de organização acadêmica na segunda metade do século XVI, quando imperava a estética maneirista, na qual a arte se fundamentava sob dogmas descobertos no passado por artistas divinos e passíveis de transmissão aos artistas do presente.
No modelo acadêmico a formação do artista responde a objetivos precisos, inclusive de propaganda a serviço do Estado, como aconteceu com os artistas da Academia de Pintura e Escultura de Paris fundada em 1648. Os artistas franceses deveriam aprender a maneira dos antigos. Essas influências na arte do século XVII podem ser percebidas em elementos como a proporção, uma das fundamentais,e na representação de gestos e atitudes. A própria natureza deveria ser vista a partir dos exemplos dos gregos e romanos e era por isso que a viagem a Roma era parte integrante da formação do artista.
O classicismo do século XVII opõe-se ao seu par complementar, o barroco, e aos resquícios maneiristas. Combate a chamada “pintura de maneira”, isto é, a pintura pela pintura, sem relações com a natureza, mas critica o naturalismo representado por Caravaggio, submisso à natureza, incapaz de seleção e idealização. Esse “erro” seria sanado pela observação da arte antiga, natural, mas não naturalista, penetrada pela ideia, purificada pela expressão artística. A tarefa da estética classicista do século XVII era afirmar que arte possuía a natureza como substrato, como material a ser sublimado.
A pintura francesa do século XVII, diferente da pintura italiana, não rompe totalmente com as posições maneirísticas derivadas de Fontainebleau. Ainda se inspiravam no decorativismo e naturalismo mesmo depois de haverem rumado para Roma e terem travado contato com a Antiquidade Clássica. Valentin é pintor da realidade. Simon Vouet pratica o realismo burguês, exaltando os valores da pintura veneziana. Os irmãos Le Nain por muito tempo encaminham a pintura francesa em sentido realístico, pondo em destaque a evidência moral do viver, a simplicidade das figuras, a interioridade pacata, a exaltação da gente humilde.

Georges de La Tour modela suas formas pela luz, lhe permitindo a expressão do divino no humano, no misticismo. Ele utiliza a compactação geométrica das formas e a simplificação dos planos, a luz quente (influência flamenga) e a legibilidade dos fatos narrados, que faz com que entre nas exigências da contra-reforma. O bloqueio dos gestos e das atitudes é antibarroco, mas o acento da espetacularidade que induz o observador a participar do drama é traço dominante da época.

Mas é Nicolas Poussin o mais alto expoente do classicismo francês do século XVII. Era o exemplo a ser seguido, pois ensinava fazer do estudo em Roma, do contato com as estátuas antigas e com os mestres do Renascimento o ponto de partida para uma pintura sóbria e geometricamente determinada, voltada para a exaltação das ações heróicas e destituída de detalhes inúteis e triviais. “A pintura nada mais é do que ideias das formas vivas” – dizia ele. A luz era abstrata e pensada na ordenação das coisas no conjunto. O seu ambiente nunca é natural, a natureza é uma contemplação com acentos dramáticos ou luminosidades festivas. Sua obra já constituía a antecipação da natureza como estado de alma.

Já Charles Le Brun assume posição barroca pelo fato de dar evidência aos conteúdos, de apresentar os fatos de formas espetaculares e imprimir ares grandiosos à decoração. Não é por acaso que Loius XIV lhe nomeia primeiro pintor do rei. Le Brun consegue conciliar as delicadezas intelectuais dos franceses às contribuições flamengas e aos comportamentos clássicos sugeridos pela Academia. A decoração dos salões de Versailles, desde a escolha dos mármores até os espelhos das galerias é obra sua, formando uma diretriz única que define o “grande gosto Louis XIV”.

Publicado em Crie & Invente, Pintura Temática | Etiquetado Academia de Pintura e Escultura, arquitetura, arte, barroco, Caravaggio, classicismo, clássico, corte, França, Itália, Le Brun, Louis XIV, maneirismo, pintura, Poussin, Roma, século XVII |



[...] Veja mais sobre o perído histórico em: A Dança Clássica, Fábulas de La Fontaine, Moda Barroca – Parte 2, Molière, Racine e Classicismo e Pintura Barroca e Classicista. [...]